sábado, 22 de abril de 2017



Casulo

O coração
É o casulo
Da alma
Útero dos mistérios
Onde o Ser
Descobre
Os sentidos
Desejos
E necessidade
De voar.

Adeilton Lima
A saudade
é o paradoxo
da ausência...

Adeilton Lima

quarta-feira, 8 de março de 2017

Eis que a criança disse: "Olha a lua!"
E a lua se fez!
No entanto, o céu estava escuro,
naquela noite não havia lua nem estrelas...
Mas o que é o céu diante da imaginação de Deus?


Adeilton Lima

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Toda uma vida sem trocarem um único olhar... E de repente ele estava ali estático ao lado de seu corpo olhando fixamente para aquele rosto inerte e pálido, para aqueles olhos preenchidos absurda e paradoxalmente pela luz da morte.

Adeilton Lima

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

A saliva que fulmina
palavras atávicas
enquanto o veneno
desce pelo canto da boca...
Há murmúrios
e resta apenas (no aqui e no agora)
os esqueletos petrificados
no barco ruminante
das madrugadas...
a cegueira insone dos vaga-lumes
rodopiando fios de lembranças
nas constelações do corpo...
Vampiros enlouquecidos
a suplicar a luz!


quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

A loucura
esse meteoro diário
a zunir na tua cabeça
como gargalhadas dos zumbis que te cercam
repletos de cordas e crucifixos
no pescoço...
A loucura
esse galo cantando
nas manhãs indesejáveis
de consciências tardias
à beira do sepulcro..
A loucura
esse oceano abissal
que salta dos teus olhos
causando calafrios nos poros
da pele que ainda resta sobre os teus ossos...
A loucura
esse feto que te acena
desesperadamente
no avesso dos nascimentos
ainda visível sob o portal tão longe e tão perto
de um arco-íris!


Adeilton Lima

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

A poeira
acolhe o espírito
da memória
na jornada dos tempos idos
mas presentes
espelho sem pele
das nuvens que também se foram
deixando estilhaços
nos redemoinhos do céu!


Adeilton Lima
Uma nação
assim parida...
sobras de asas
desbotadas
cuja memória
dos voos
se perdeu
nos vagões
das últimas tempestades...
e agora, moribundo e delirante,
o povo arqueja,
e vitupera,
em vão,
entre a imensidão
do que poderia ter sido
e o abismo do que já não é...


Adeilton Lima

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Lançou as oferendas
ao mar
sonhando livrar-se
do naufrágio
em terra firme...
Um deserto torrencial
de desejos e solidão...
Uma vida à deriva.