segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Nas paredes da caverna
o poeta escrevia com sangue o grito ancestral
útero abismal
onde os dragões
preparam há séculos o fogo solar!
jaz na aurora
o murmurar das ondas
enquanto lá fora, no mundo canino, os homens
se perdem em meio às guerras zunindo seus canhões e seus egos!
foi o pássaro que disse: "Eis a hora!"
E os cardumes saltaram sobre as ondas fugindo
dos tubarões!
O arfar das guelras e o jorro das manhãs!
Tanta morte! Tanta vida!
Quanto ao poeta, apenas a memória púrpura
de uma velha canção.


Adeilton Lima

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