sexta-feira, 9 de setembro de 2016

A fogueira
da memória jaz como um deserto
onde o tempo deposita seus
destroços...
as cinzas de agora são teias de aranha
que cobrem aquele rosto eternizado entre as chamas
e cujo olhar de fogo deixou na alma
queimaduras seculares
hoje cicatrizes vivas no sorriso dos algozes
as rugas do fogo
em labaredas inesquecíveis
ainda queimando em sua inexistência sublime

no aqui e no agora
um pássaro sem penas teimando em voar
um homem despido, nu, diante da morte
como um feto minutos antes do nascimento
e do grito inicial de tudo, até do que finda...
resistindo às cinzas
transformando-se em pó...


Adeilton Lima 
https://soundcloud.com/deiltonima/voz-025m4a