quarta-feira, 1 de julho de 2015

A lona puída do circo era uma tela de cinema para o menino. Através daqueles trapos, sentado numa arquibancada de madeira, ele flertava as estrelas como se caminhasse pelo universo na corda bamba do horizonte. Aquele mesmo horizonte do tamanho da boca vermelha do palhaço sobre quem os trapezistas faziam piruetas quase em câmera lenta parecendo astronautas malucos que ali chegaram num foguete enferrujado. Mas o bom mesmo antes desse encantamento todo era a beleza das bailarinas cujas silhuetas, trocando de roupa no camarim antes de entrar em cena, provocavam a suspensão de sua respiração e também arrepios como se ele estivesse no epicentro do próprio globo da morte.

Adeilton Lima

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