quarta-feira, 18 de março de 2015

O ritual é sempre uma oportunidade de voltarmos ao começo, não necessariamente de fazermos o mesmo caminho. Nada associado ao ego. A conexão é com a energia superior, seja lá qual for o nome, que nos habita, do macro ao micro universo. Se ritualizamos tudo o que fazemos, no sentido sublime da palavra, giramos na mesma frequência dessa ciranda universal. Assim é para a poesia de cada dia, nosso sagrado cordão umbilical. Que assim seja! Evoé, namastê, axé, amém!

Adeilton Lima
Quando o poema

fica inconcluso, 

o não escrito 

é  a poesia.

Adeilton Lima
Ser poeta
em cada gota
de sêmen, suor, saliva
e lágrima
em cada poro
encharcado
de vida
de andanças
de bailes e rodopios
de acenos e afagos
de chegadas e partidas
Ser poeta
como quem corta
as próprias veias
para alcançar
outras profundezas
com a mesma alegria
dos desapegos tão necessários
em meio ao delírio
de outras manhãs e delicadezas
ser poeta
porque esse é um caminho
sem volta
como quem salta
do fundo para
o alto do precipício
reinventando gravidades
e renascendo para outros
dias, outras infâncias
ou mesmo outras mortes
ser poeta
porque não há salvação
senão na fogueira dos versos
queimando lábios, vaginas
línguas, bocas e falos
ouvindo as vozes dos deuses
em orgias sublimes
e orgasmos vorazes.
Adeilton Lima