domingo, 22 de janeiro de 2012

sábado, 7 de janeiro de 2012




Medusa

Com fagulhas de horizontes
Semeei meus caminhos
Brasas sagradas protegem meus pés.
Sussurrei nos ouvidos das sombras
Sugestões de amanheceres
Esperei com calma
Os grandes lábios das ondas
Antes de mergulhar
Nas profundezas das águas
E recebi seu abraço
Quando o sol bradava luz
Escancarando sua garganta tenaz
Tenor dos céus.
Ansiei, confesso, o afago de mãos suaves
Mesmo sem notar a lâmina
Venenosa a preparar o bote
Sobre os meus ombros.
Mas houve tempo suficiente
Para eu ver a máscara cair
Da face do monstro ainda sedento de noite
Agora a desfazer-se sob a luz do arco-íris...
Era Medusa gargalhando
Suas próprias mazelas
Mordendo e engolindo a si mesma
Enquanto meu barco passava...
Livrei-me de suas garras
Sob a proteção de Atena
Que de longe
Assobiando ao vento
Indicava-me a direção
No momento exato
Em que surgia o grande portal dos sonhos
Medusa virara pedra
Ao ver sua própria imagem espelhada.
Pois não é a bondade
Mas a ira dos deuses a minha proteção,
Assim, Oxossi ensinava.
Como filho do fogo
Sou movido por paixões
Conheço bem a força das tempestades
Da mesma forma como elas conhecem
O gume do meu punhal.
Eia!

Adeilton Lima