domingo, 16 de dezembro de 2012

Uma gota de suor
lambe uma gota de lágrima
Vendaval
Num mar de saliva!
Lá fora, gotas de chuva!
Minha língua em ondas...

Adeilton Lima

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

O poema é o arco e o verso é a flecha! O caminho é o alvo! Evoé!

Adeilton Lima

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

A madrugada me enlaça com a barra de seu vestido escuro, sob o tecido minhas mãos tateiam acariciando estrelas pontiagudas...

Adeilton lima

domingo, 25 de novembro de 2012

Não menospreze um graveto... Ele traz em si a história, a força e a alma das árvores!

Adeilton Lima
Procura-se um poema... Estava aqui ainda há pouco na ponta do lápis, da tecla, da língua... Suspeita-se de algum encanto pois seu verso sempre foi livre, sem motivos para fugas... No entanto, quem por ventura o encontrar, por favor, busque sua alma para além das aparências assimétricas e oblíquas. Ele escreve certo nas cordas bambas da vida e também encara um trapézio sem redes de proteção, isso quando não resolve brincar com o fogo... E não precisa explicar-lhe o caminho de volta, poemas não voltam, apenas indicar-lhe outros rumos, ares, mares, corações, destinos! Obrigado!

Adeilton Lima

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Depois da chuva
A lua!
A espada do santo
Reluz estrelas...

Adeilton Lima

Água-Viva

Água-viva
Cai do céu
O mundo ferve!

Adeilton Lima

Em verdade vos digo que águas-vivas cairão dos céus alimentando o calor dos corpos com o fogo da libido de todos os infernos!

Adeilton Lima

domingo, 18 de novembro de 2012

Amores impossíveis? Sempre que o golfinho saltava era na esperança de encontrar o beija-flor.

Adeilton Lima
E transformava a vertigem em asas diante do abismo. Assim nascia o pássaro...

Adeilton lima

sábado, 17 de novembro de 2012

O Lagarto




O rabo do lagarto deslizava sobre a pele do rosto. A ponta do rabo 
perfurando o olho cru do dia como uma ressaca. Uma ruga enviesada a caminho 
dos lábios dos quais um leve odor de dias passados saía aos poucos represado 
pelos dentes. Das narinas, algo gelatinoso escorria como lavas de um vulcão 
a ponto de explodir. Restos de pó e tabaco, um negrume de vida a cada 
tentativa de entender as invasões do ar. A boca aberta esperando noites e 
orgias, cavalos alados e mulheres nuas. Uma dose para além desse momento, 
para além desse quarto cujas paredes vigiam as frestas do mundo lá fora. Na 
testa, uma gota sonâmbula de suor espreitando as pálpebras agora 
arregaladas. Arregaladas, sim, pela visão terrível do lagarto. Um parto 
medonho com um choro surdo, uma banda talvez lá fora tocasse alguma coisa, 
rumores de uma marcha fúnebre anunciando a sua partida. Os nós dos dedos, os 
pulsos fechados, a contração sem fim. Não nasceria aquela noite sem 
experimentar a crueldade do dia, do dia algoz e impiedoso, com seus veículos 
barulhentos, com a sua luz medonha a trucidar a retina como uma britadeira 
perfurando o crânio cego e frio da pedra.

Adeilton Lima

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Estrela

Que aquela estrela cadente 
no céu dos teus olhos 
celebre como as cigarras 
sorrisos suaves de entardecer...


Adeilton Lima

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Cheia


As águas desciam dos olhos da noite
Sobre o solo ainda ressecado
da última estação
Asas encharcadas aguardavam em repouso
Quase como um felino
A saltar sobre o tempo
Agarrando-se e penetrando
voraz em sua garganta
Um trovejo, um grito talvez
A vida parindo a si mesma
Numa enxurrada
Enlouquecendo a escuridão!

Adeilton Lima

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Bato à tua porta da mesma forma como alguém escava palavras num entardecer qualquer minerando esperanças! Escancarada a porta, no entanto, apenas um voo sobre o vazio.
Adeilton Lima

terça-feira, 29 de maio de 2012

A lágrima escorria por entre as rugas como um rio transbordando pelas crateras do tempo.


Adeilton Lima

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Sem Nome

Tropeçar num poema e
Chamar de paralelepípedo
O concreto do dia
Já nas ruas 
A sombra dos bois
Que buzinam ferozes
Ao chamado da arena
A palavra que de súbito
Alivia tua queda
Sobre o firmamento do verso
Visualizar o sangue dos semáforos
Suando fumaça, cuspindo a pressa
A presa encurralada na esquina
Laçada e currada diante de todos
A vida que segue sem perdão
Nem misericórdia
Na espreita das sombras
Já no teu encalço

Ruminando... Ruminando...

Adeilton Lima

sábado, 5 de maio de 2012

Puta Nossa!


Puta nossa que estás nos céus
(ou nos infernos)
Santificado e profano seja o teu nome
Assim como o teu ser, glória e luz
Donzela, guerreira, moça e santa.
Venha a nós o teu seio, calor e sexo
Mas que só a tua vontade prevaleça
Sobre teu corpo, carne e útero...
O pão nosso por ti seja abençoado
Oh divina mãe do universo,
E que as sementes do bem
Por ti sejam amamentadas,
Frutificando amor, respeito e amizade.
Que a tentação seja sempre uma descoberta
Onde não haja exclusão, discriminação
E muito menos a falta de liberdade!
Que haja sempre a paz, equilíbrio e harmonia!
Oh grande mãe que habita todos os seres,
No berço da existência ouçamos a tua voz e o teu canto
Para que façamos sempre por merecer
O teu poder, proteção, amor e generosidade
Transformados em água, ar, terra e fogo
A cada ciclo que se renova!
Amém!

Adeilton Lima

quarta-feira, 14 de março de 2012

Com um poema atravessado no peito, cambaleou pela calçada abraçado a uma garrafa de vinho... A lua o espreitava lá do alto lambendo o gargalo da garrafa como se fosse o próprio falo da madrugada. 


Adeilton Lima

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012


Sim, eu confesso, sou um perseguidor de imagens... Miragens sempre tão distantes, ou diria cada vez mais próximas? Acreditei em visagens pertencentes a outros mundos, já até visitei os círculos de mil infernos...  Agora, aqui, cego e preso a essa corrente de tempo, ouço a luz que explode lá fora, ou seria aqui dentro?


Adeilton Lima

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

A língua, essa serpente nascida e enterrada no labirinto das palavras, no fundo do poço da garganta... Uma flecha lançada pelo arco dos teus lábios sobre a minha pele, lambendo o espaço e queimando os sentidos nesse movimento oblíquo que nos entrelaça ao mesmo tempo que nos consome!


Adeilton Lima

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

A lua uiva o amarelo na prata, um santo cavalga, um dragão sucumbe e um poeta enlouquece! Assim é o verso nas entrelinhas da noite! Tambores ecoam e as marés rodopiam as anáguas sobre a areia enquanto as estrelas traçam rotas no céu!


Adeilton Lima

domingo, 22 de janeiro de 2012

sábado, 7 de janeiro de 2012




Medusa

Com fagulhas de horizontes
Semeei meus caminhos
Brasas sagradas protegem meus pés.
Sussurrei nos ouvidos das sombras
Sugestões de amanheceres
Esperei com calma
Os grandes lábios das ondas
Antes de mergulhar
Nas profundezas das águas
E recebi seu abraço
Quando o sol bradava luz
Escancarando sua garganta tenaz
Tenor dos céus.
Ansiei, confesso, o afago de mãos suaves
Mesmo sem notar a lâmina
Venenosa a preparar o bote
Sobre os meus ombros.
Mas houve tempo suficiente
Para eu ver a máscara cair
Da face do monstro ainda sedento de noite
Agora a desfazer-se sob a luz do arco-íris...
Era Medusa gargalhando
Suas próprias mazelas
Mordendo e engolindo a si mesma
Enquanto meu barco passava...
Livrei-me de suas garras
Sob a proteção de Atena
Que de longe
Assobiando ao vento
Indicava-me a direção
No momento exato
Em que surgia o grande portal dos sonhos
Medusa virara pedra
Ao ver sua própria imagem espelhada.
Pois não é a bondade
Mas a ira dos deuses a minha proteção,
Assim, Oxossi ensinava.
Como filho do fogo
Sou movido por paixões
Conheço bem a força das tempestades
Da mesma forma como elas conhecem
O gume do meu punhal.
Eia!

Adeilton Lima