sábado, 23 de julho de 2011

Avencas

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Toda relação
É uma miragem 
Grãos de tempo
Desfolhando
Em barcos ancorados no deserto 
Toda relação
É uma miragem 
As que ficaram
Pela estrada
As que aconteceram às escondidas
Como se fossem para sempre
As que sucumbiram
inesperadamente
As que (nos) enlouqueceram...
As que (nos) arrebataram. 
A miragem do
Do olhar apenas trocado
Do desejo abortado
Do cio interrompido
Num escalpo do horizonte ao final da tarde 
As flores murchas
As malas desfeitas
A viagem que não aconteceu
Num inacreditável aceno de adeus...
 O grito dentro do copo
O porre no abismo
E o abismo do porre
O silêncio marcado no corpo
O poema não escrito 
Toda relação
É uma miragem 
O mamilo e a saliva
A pele e o sêmen
A palavra e a língua 
O aprendizado da dor 
Tão longe
Tão perto 
Toda relação
É uma miragem 
Num cruzamento de esquina
Ou na borda de uma xícara
Sobre o ringue das manhãs
Manchado de sangue, lágrimas e suor 
Toda relação
É uma miragem 
E mesmo que duvides
Protestes e renegues
Haverás
De encontrá-la no instante infinito
Da corda bamba dos dias
Sorrindo... Sorrindo... Sorrindo...
Com o olhar arrebatador.

Adeilton Lima

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