sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Como se Faz um Secretário de Cultura?

É bem curiosa a movimentação recente em torno do futuro nome que ocupará a cadeira número um da Secretaria de Cultura do DF, em 2011. De repente, cabos eleitorais se mobilizam em telefonemas, reuniões, propostas etc para alavancar seu respectivo candidato.
Ocorre que as pessoas não se apercebem de um detalhe importante. Tal cargo não é eletivo! Será nomeado, óbvio, pelo governador Agnelo Queiroz.  Porém, o argumento é que, como se tratará de uma lista tríplice ou quádrupla, é necessário conquistar o apoio amplo dos vários segmentos culturais para que um determinado nome receba Del-Rei seu poderoso aval.
Todo político que chega ao poder sempre o faz defendendo mudanças de posturas, conceitos e políticas, os de esquerda, evidentemente, não fogem à regra. Costumam ser até mais contundentes, não necessariamente mais verdadeiros, infelizmente essa não é a regra. Porém, o que acho mais preocupante quando vejo campanhas para cargos não eletivos é a repetição de uma prática política tacanha, retrógrada e desprezível que é a barganha, o fisiologismo ou o favoritismo baixo de balcão que ainda impera nas políticas coronelescas deste tão combalido cerrado. Pelo menos é o que indica tal modelo de “campanha”.  Determinado “candidato” certamente dará preferência ao seu grupo de correligionários em detrimento daqueles que não o apoiaram, e assim por diante, gerando um ciclo vicioso. Determinados indivíduos ou grupos que apoiaram determinado “candidato” partirão para a pressão diante de suas demandas pessoais e particulares cobrando o troco por seu apoio, etc. No mínimo, corre-se esse risco! No mínimo, expõe-se a desconfiança.
Esquecem-se ambos os lados que o que se deve fazer numa democracia é partirmos para o debate, sociedade organizada e governo seja ele quem for juntamente com seus representantes. Deve a sociedade em seus vários setores e segmentos debater idéias, diretrizes e projetos sem bajular ou pedir favor a político algum, mas exigir que se cumpram suas demandas em prol do coletivo. Devemos, sim, nos organizar como indivíduos e/ ou entidades verdadeiramente representativas com respaldo legal e encaminhar nossas demandas preferencialmente através do diálogo, e se necessário, de mobilizações. O fundamental é a efetivação de políticas duradouras.
As velhas práticas espúrias do puxa-saquismo, do peleguismo ou de outras expressões do mesmo campo semântico devem ser devidamente colocadas nas latas de lixo da história.
Não dá pra continuar tomando o mesmo cafezinho requentado das políticas do passado nos corredores da Secretaria de Cultura do DF a partir de janeiro de 2011.
Adeilton Lima
Ator - DRT- 1642-DF

2 comentários:

vanderlei costa disse...

apoio sua crítica coerente a esse povinho desbotado, mais bege do que vermelho, todos doidinhos para mamar na teta....

Antonio disse...

De fato, Adeilton, pela via denunciada no teu texto não haverá nem a sombra do novo caminho prometido na campanha eleitoral.