sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Brasília

Brasília: Onde alguns enxergam o desenho de um avião, vejo um arco e uma flecha florindo no chão dos meus ancestrais.


Adeilton Lima

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Cru – A Frio e a Seco

Nunca fui um admirador do teatro de Alexandre Ribondi, porém, respeito-o. Nada contra, muito menos pessoal, nem teria motivos para isso, apenas navego noutras águas e habito outras ilhas, nem melhores, nem piores, mas diferentes. Meu olhar é puramente estético. Digo abertamente, numa boa, pois não sou hipócrita, nem tão pouco me dou ao trabalho das rasgações de seda beirutianas tão comuns no metier brasiliense.  
Teatro se faz mesmo é sem tapinhas nas costas.
Interessa-me a cena, o palco, e mais ainda, o que de humano possa existir registrado numa peça teatral, seja ela de quem for, afetados (as), pesquisadores (as), diletantes, gente séria, ou nem tão séria assim, veteranos (as), iniciantes etc. Interessa-me muito mais o debate estético, discursivo e lingüístico para além de umbigos empinados na ponta de narinas que se abrem tal e qual as asas de um pavão nas portas dos teatros ou nas mesas de bares. Mas uma coisa é uma obra de arte, outra, as pessoas. E essa relação nem sempre é tão direta assim.
Cru é uma peça necessária.
Nada de novo, ninguém tem a pretensão de estar inventando a roda.
Porém, espectador nenhum sairá incólume do teatro depois dessa boa porrada na boca do estômago. Não me refiro evidentemente a possíveis cenas de violência gratuitas tão comuns no cineminha comercial dos nossos tempos televisivos. Não é por aí. Refiro-me exatamente ao que não se vê, mas se sente, ou seja, a um grau de tensão que é trabalhado ponto a ponto, vírgula a vírgula, frase a frase, gesto a gesto, cena a cena. Cru está no campo semântico que se realiza no tempo fronteiriço dos diálogos, dando ao espectador a sensação de estar numa montanha russa, condicionado indubitavelmente às leis da física ou dos embates de valores morais. Assim, acuado, e sem saída, o público acomodado em sua confortável poltrona, vê-se sacudido e expulso de seu mundinho cor-de-rosa. Cabe bem para Brasília. Do drama familiar e social que regurgita com boa dose de sarcasmo e crítica, na desossa das relações humanas, no espaço de um “pé sujo” qualquer de esquina de uma cidadezinha alhures que mistura boteco e açougue, ou em qualquer restaurante fino freqüentado pela elite podre que grassa e desgraça nas grandes cidades, Cru promove nas subidas e descidas da montanha, um escalpo que deixa a nu as doenças morais mais escrotas da nossa sociedade. Aquela mesma que de forma hipócrita faz campanha contra as drogas ao mesmo tempo em que sai para comprá-las. A mesma que diz não ter preconceitos ao mesmo tempo em que lava as mãos sobre os mesmos. Crimes políticos sob encomenda, jogadas de bastidores, matadores de aluguel, tudo tão atual e tão perto de todos nós. Vivemos numa sociedade que lentamente pratica o suicídio coletivo, seja cultural ou moral. Cabe um parêntese... A classe artística brasiliense atua no mesmo caminho como uma espécie de recorte metonímico dessa temática suicida.
Chico Santana, Sérgio Sartório e Marcos Vinícius estão excelentes em cena, bem entrosados no jogo desnudo do tabuleiro! Cada um no tempo do outro, quase formando uma única figura através da solidão, rudeza e crueldade que explodem no universo de cada personagem em particular. E tais vísceras são consumidas canibalescamente como um simples tira-gosto para a cachaça, assim como nos acostumamos a fazer com a miséria e violência que nos rodeiam.
Um tiro existencial a cru, a frio e a seco! Cru é tensão!
Paradoxalmente, um trabalho que pode ajudar a humanizar as pessoas, quiçá, a educá-las melhor...

Adeilton Lima

domingo, 19 de dezembro de 2010

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Órbitas

Estrelas cadentes
Nas órbitas dos olhos
Faíscas...no abrir e fechar
das pálpebras do céu!

Adeilton Lima

sábado, 11 de dezembro de 2010

Neve

Sobre as copas das árvores
Nevavam teias de aranha
tarde de verão
Quente, longa e
Preguiçosa...

A tarde na teia
A teia na tarde
Um desenho suspenso no ar.

Adeilton Lima

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Como se Faz um Secretário de Cultura?

É bem curiosa a movimentação recente em torno do futuro nome que ocupará a cadeira número um da Secretaria de Cultura do DF, em 2011. De repente, cabos eleitorais se mobilizam em telefonemas, reuniões, propostas etc para alavancar seu respectivo candidato.
Ocorre que as pessoas não se apercebem de um detalhe importante. Tal cargo não é eletivo! Será nomeado, óbvio, pelo governador Agnelo Queiroz.  Porém, o argumento é que, como se tratará de uma lista tríplice ou quádrupla, é necessário conquistar o apoio amplo dos vários segmentos culturais para que um determinado nome receba Del-Rei seu poderoso aval.
Todo político que chega ao poder sempre o faz defendendo mudanças de posturas, conceitos e políticas, os de esquerda, evidentemente, não fogem à regra. Costumam ser até mais contundentes, não necessariamente mais verdadeiros, infelizmente essa não é a regra. Porém, o que acho mais preocupante quando vejo campanhas para cargos não eletivos é a repetição de uma prática política tacanha, retrógrada e desprezível que é a barganha, o fisiologismo ou o favoritismo baixo de balcão que ainda impera nas políticas coronelescas deste tão combalido cerrado. Pelo menos é o que indica tal modelo de “campanha”.  Determinado “candidato” certamente dará preferência ao seu grupo de correligionários em detrimento daqueles que não o apoiaram, e assim por diante, gerando um ciclo vicioso. Determinados indivíduos ou grupos que apoiaram determinado “candidato” partirão para a pressão diante de suas demandas pessoais e particulares cobrando o troco por seu apoio, etc. No mínimo, corre-se esse risco! No mínimo, expõe-se a desconfiança.
Esquecem-se ambos os lados que o que se deve fazer numa democracia é partirmos para o debate, sociedade organizada e governo seja ele quem for juntamente com seus representantes. Deve a sociedade em seus vários setores e segmentos debater idéias, diretrizes e projetos sem bajular ou pedir favor a político algum, mas exigir que se cumpram suas demandas em prol do coletivo. Devemos, sim, nos organizar como indivíduos e/ ou entidades verdadeiramente representativas com respaldo legal e encaminhar nossas demandas preferencialmente através do diálogo, e se necessário, de mobilizações. O fundamental é a efetivação de políticas duradouras.
As velhas práticas espúrias do puxa-saquismo, do peleguismo ou de outras expressões do mesmo campo semântico devem ser devidamente colocadas nas latas de lixo da história.
Não dá pra continuar tomando o mesmo cafezinho requentado das políticas do passado nos corredores da Secretaria de Cultura do DF a partir de janeiro de 2011.
Adeilton Lima
Ator - DRT- 1642-DF