domingo, 1 de agosto de 2010

Exterior

Por que a poesia tem que se confinar
às paredes de dentro da vulva do poema?
Por que proibir à poesia
estourar os limites do grelo
da greta da gruta
e se espraiar além da grade
do sol nascido quadrado? 
Por que a poesia tem que se sustentar
de pé, cartesiana milícia enfileirada,
obediente filha da pauta?
Por que a poesia não pode ficar de quatro
e se agachar e se esgueirar
para gozar– carpe diem! –
fora da zona da página?
Por que a poesia de rabo preso
sem poder se operar
e, operada, polimórfica e perversa,
não pode travestir-se
com os clitóris e balangandãs da lira?


Wally Salomão

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