domingo, 16 de maio de 2010

Viração, O teatro-anti-teatro do Foda-se!


Sábado à noite, ao invés de um boteco, fui ao Espaço Mosaico ver Viração, de Rômulo Lagarto e Marcio Augusto (ou vice-versa). Claro que farei uma crítica rasgando a seda com esses meninos que não só vão me pagar uma cerveja ou um champanhe depois (ui), mas porque os conheço desde os meus tempos de UnB, quando eles ficavam fazendo performances no Bandejão só para garantir a gororoba da semana. Depois de tentarem fazer Direito sem sucesso, foram fazer torto mesmo no curso de artes cênicas na Universidade fundada pelo velho lobo Darcy Ribeiro. Como sei que essa crítica jamais será publicada nos periódicos provincianos da capital federal (perdão pela redundância), nem no New York Times, atiro a mesma nas águas correntes da tia internet.

Viração é um espetáculo para provocar, não só o vômito orgânico, dependendo do pudicismo do “consumidor”, mas também moral, estético, ético, religioso, político etc. sobre o mundo das aparências no qual vivemos. Aliás, um espetáculo bem a propósito nesse momento em que se “comemoram” 50 anos de Brasília, ou mais precisamente, “50 ânus”, como particularmente vejo toda essa farsa. E por falar em farsa, nem essa escapa ao jorro anárquico de Viração. Tudo é colocado no caldeirão da ironia e depenado como os franguinhos pendurados no teto do teatro. Por sinal, o franguinho depenado dialoga bem com o vídeo e com a música (ou qualquer coisa parecida com isso). Dos programas de auditório de quinta categoria de nossa televisão, passando pelos cérebros recheados de silicone de certos representantes da indústria cultural, tudo é desnudado em (no) dejeto que na verdade são, sem botox, numa espécie de “vox populi” endiabrada que abaixa as calças e mostra a bunda apontando que para além do ânus existem outros universos.... Aliás, por falar em crítica.... Melhor você ir ver o espetáculo e tirar suas próprias conclusões.

Não dá pra falar em catarse, não é por aí. Melhor falar em sintonia, em antena ligada. Donos da verdade? Não, apenas figuras dispostas a debater inclusive sobre nossas próprias contradições. Sim, nós como artistas, cidadãos, trabalhadores e agentes culturais, formadores de opinião, brasilienses e brasileiros, desde os que se vendem por qualquer bagatela, ou os que sugam o trabalho alheio à guisa de alpinismo social e de sucesso a qualquer preço aos que resistem bravamente ao canto de sereia do mundinho das ‘rasgações’ de seda das portas de teatro e redações de jornal, bem como das celebridades momentâneas.

A Cia Italiana de Teatro Ladrão apresenta, para além de qualquer coisa, um manifesto sobre um teatro (brasiliense) que precisa mesmo é trocar as fraldas...

Ah, e antes que eu me esqueça, foda-se!

Adeilton Lima

Um comentário:

VIRAÇÃO disse...

Adeilton,
fiquei emocionada com a sua crítica.
Que bom!
Agradecida,
Mônica - cenógrafa e figurinista da Cia Italiana de Teatro Ladrão - Viração.