terça-feira, 25 de maio de 2010

A Arte de Ler - Adeilton Lima - Fernando Pessoa - Eros e Psique

Das Travessias

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Eis o portal
Embainha tua espada
O círculo de fogo que
Anela a alma no interior do ventre
Protege e afaga teus caminhos
Há sombras na floresta para os teus sonhos
Agora, o leão descansa...
Depois de tantas batalhas
Suas asas recuperam o fôlego
Para novos vôos.
Vai! Sem medo faz tua travessia!
Não há barqueiro ou qualquer outro cicerone...
Esculpe na pedra o teu dia e deixa
Que a água lave teu rosto.
Do outro lado há um menino
O guardião do portal
Sorri para ele sem receio
E deixa-te levar pela correnteza.
Quando chegares à outra margem
Beija o chão dos teus ancestrais
Medita.
Terás cumprido o teu ritual...
Um raio te fortalecerá o peito e
Na voz de Deus cantará o trovão.
Será primavera!
Guarda um lírio como lembrança.
Quando finalmente chegar o dia
Verás a beleza do sol que te espera!

Adeilton Lima

terça-feira, 18 de maio de 2010

domingo, 16 de maio de 2010

Viração, O teatro-anti-teatro do Foda-se!


Sábado à noite, ao invés de um boteco, fui ao Espaço Mosaico ver Viração, de Rômulo Lagarto e Marcio Augusto (ou vice-versa). Claro que farei uma crítica rasgando a seda com esses meninos que não só vão me pagar uma cerveja ou um champanhe depois (ui), mas porque os conheço desde os meus tempos de UnB, quando eles ficavam fazendo performances no Bandejão só para garantir a gororoba da semana. Depois de tentarem fazer Direito sem sucesso, foram fazer torto mesmo no curso de artes cênicas na Universidade fundada pelo velho lobo Darcy Ribeiro. Como sei que essa crítica jamais será publicada nos periódicos provincianos da capital federal (perdão pela redundância), nem no New York Times, atiro a mesma nas águas correntes da tia internet.

Viração é um espetáculo para provocar, não só o vômito orgânico, dependendo do pudicismo do “consumidor”, mas também moral, estético, ético, religioso, político etc. sobre o mundo das aparências no qual vivemos. Aliás, um espetáculo bem a propósito nesse momento em que se “comemoram” 50 anos de Brasília, ou mais precisamente, “50 ânus”, como particularmente vejo toda essa farsa. E por falar em farsa, nem essa escapa ao jorro anárquico de Viração. Tudo é colocado no caldeirão da ironia e depenado como os franguinhos pendurados no teto do teatro. Por sinal, o franguinho depenado dialoga bem com o vídeo e com a música (ou qualquer coisa parecida com isso). Dos programas de auditório de quinta categoria de nossa televisão, passando pelos cérebros recheados de silicone de certos representantes da indústria cultural, tudo é desnudado em (no) dejeto que na verdade são, sem botox, numa espécie de “vox populi” endiabrada que abaixa as calças e mostra a bunda apontando que para além do ânus existem outros universos.... Aliás, por falar em crítica.... Melhor você ir ver o espetáculo e tirar suas próprias conclusões.

Não dá pra falar em catarse, não é por aí. Melhor falar em sintonia, em antena ligada. Donos da verdade? Não, apenas figuras dispostas a debater inclusive sobre nossas próprias contradições. Sim, nós como artistas, cidadãos, trabalhadores e agentes culturais, formadores de opinião, brasilienses e brasileiros, desde os que se vendem por qualquer bagatela, ou os que sugam o trabalho alheio à guisa de alpinismo social e de sucesso a qualquer preço aos que resistem bravamente ao canto de sereia do mundinho das ‘rasgações’ de seda das portas de teatro e redações de jornal, bem como das celebridades momentâneas.

A Cia Italiana de Teatro Ladrão apresenta, para além de qualquer coisa, um manifesto sobre um teatro (brasiliense) que precisa mesmo é trocar as fraldas...

Ah, e antes que eu me esqueça, foda-se!

Adeilton Lima

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Leveza

"Não tenho pressa. Na cidade a pressa é inútil. A cidade me 'entonteia', o rio me 'liberteia!' (Luís Gomes - Ribeirinho de 60 anos que vive no coração da Amazônia).

terça-feira, 11 de maio de 2010

Crítica - Diário de um Louco - Correio Braziliense – 16/10/1999

Correio Braziliense – 16/10/1999
Fernando Marques                     
                         
                               Foto: Pardal

DE VOLTA, DE 18 A 27 DE JUNHO, NO ESPAÇO MOSAICO (714/15 NORTE)

Comédia Amarga é Ótimo Teatro
Bertolt Brecht disse uma vez que gostaria de ver suas obras envelhecerem. Se isso ocorresse, talvez a sociedade é que tivesse mudado – para melhor. A citação vem a propósito da atualidade cruel do conto Diário de um Louco, do russo Nicolai Gogol (1809-1852). Adaptado para o palco pelo pernambucano Rubem Rocha Filho nos anos 60, o texto dá base ao espetáculo de mesmo nome com o ator Adeilton Lima, dirigido por Cesário Augusto.

Gogol praticou o realismo, misturando-o freqüentemente a elementos fantásticos. Na comédia O Inspetor Geral, faz sátira da burocracia, mantendo-se dentro dos limites realistas. Em Diário de um Louco, realidade e fantasia se misturam novamente, mas dessa vez as fronteiras de certo modo se dissolvem, já que se trata de um homem para quem tudo parece possível.

O próprio personagem, funcionário subalterno sem chances de ascensão, narra sua história. Quanto mais ele se percebe distante de seus desejos e objetivos – o respeito de chefes e colegas, o amor da filha do diretor –, mais mergulha na fantasia desatinada, que o compensa dos tropeços. O autor recorre, como noutros textos, a situações patéticas, capazes de produzir o “riso entre lágrimas”.

O monólogo correria o risco de desabar em mãos menos talentosas. Adeilton Lima possui e emprega os recursos necessários a enfrentar o personagem sem que o interesse caia. O fato de representar um louco pede certas inflexões vocais e corporais insólitas: dos passos circulares, no início, ao corpo atirado ao chão, sob pancadas, no final, sem falar nos interlúdios cômicos. Justamente nos momentos de maior sofrimento, de maior cisão, o personagem imagina-se rei da Espanha, coroado no Brasil dos anos 60 – ou 90. Lá fora, o fascismo, de fato, reina.

Há passagens engraçadas, como aquela em que o personagem supõe ler cartas que teriam sido escritas por uma cachorrinha grã-fina, pertencente à moça de quem ele gosta. Cachorros não escrevem cartas? Para ele, esse dado não tem a menor importância. Adeilton e o diretor Cesário conseguem fazer o público enxergar, por trás da máscara cômica do maluco, o sofrimento do homem sem saída, prensado entre os próprios limites e o mundo absurdo. As leis formais ou informais parecem existir com o intuito específico de torná-lo infeliz. Por outro lado, a criatura de Gogol não reconhece derrotas, nega obstinadamente a realidade adversa, ilude-se todo o tempo sobre si e sobre os outros.

A comédia amarga projeta-se da Rússia de meados do século XIX para o Brasil de hoje. Ator e diretor vêm pesquisando os recursos da interpretação. Nada de acadêmico ou experimental, porém: o que se vê em cena é teatro, bom teatro. Adeilton pode prosseguir, talvez indefinidamente, na elaboração interior dessa e de outras criaturas, sem perder a possibilidade de vê-las de fora e rir delas – ou com elas. Como, aliás, acontece em Diário de um Louco. Vale a ênfase: o ator pode se tornar um Olivier, um Autran, quem sabe maior que Olivier e maior que Autran.

Antonin Artaud

“Não sou daqueles que acham que a civilização deve transformar-se para que o teatro se transforme; mas acredito que o teatro, utilizado em seu sentido superior e mais difícil, tenha a capacidade de influir no aspecto e na formação das coisas; e o encontro em cena de duas manifestações passionais, dois espaços vivos, dois magnetismos nervosos, é qualquer coisa de tão íntegro, tão verdadeiro, tão determinante quanto, no plano da vida, o encontro de duas epidermes num estupro sem amanhã.”

quarta-feira, 5 de maio de 2010

A Arte de Ler - Adeilton Lima


Recitais em escolas com o ator e professor Adeilton Lima. Projeto A Arte de Ler, poesia brasileira e universal! Vinicius de Moraes, Mario Quintana, Carlos Drummond de Andrade, Fernando Pessoa, Florbela Espanca, Ferreira Gullar, Federico Garcia Lorca, entre outros. Contatos: (61) 9239 9644

Quintanares/Direção: Claudio Chinaski - Foto: Rui Miranda

Manoel de Barros

Não faz bem destampar a solidão porque sem ela a gente fica mais incompleto. A solidão serve até para complementar o amor. (Manoel de Barros). In: Correio Braziliense, 5/05/2010



terça-feira, 4 de maio de 2010

Glauber Rocha

“Tenho algo de impetuoso em meu espírito. Tenho raiva das coisas fáceis, idolatrando as que, para consegui-las, arranquem-nos suor da face”.
                                                             


A beleza do nu não é aquilo que se despe mas que se revela.

                                                        Escultura de Israel Kislansky (SP)