quinta-feira, 29 de abril de 2010

"Não creio na morte dos que amam! Nem na vida dos que não amam!" (Macedonio Fernandez)

quarta-feira, 28 de abril de 2010

A Lua é a Minha Cachaça!

                                                               Foto de Vania Maia

terça-feira, 27 de abril de 2010

Das Despedidas

Não era um uivo comum de lobo no meio da noite
Talvez um poema parido pela luz da lua
Ou quem sabe uma estrela cadente
Faiscando dentro dos olhos
Fossem trombetas de anjos apocalípticos
Saudando a espada de São Jorge
A perfurar a garganta do dragão
Esculpido pela nuvem...

Um cordel, uma serenata para a mais bela!
Cor de noite na pele sangrando madrugadas.
Um arco-íris de horizontes e encantamentos,
Louvação sublime no terreno do sagrado.

Agora, a hora já amarga da despedida
De dias à deriva, de noites na encruzilhada
Dos destinos e das estradas de algozes cavaleiros.
Poeira comida na sola dos cascos à guisa de auroras.

Mas aquela mesma faísca
Pode ser a tocha
Que iluminará os teus abismos.

Adeilton Lima

Epitáfio

"Era um louco apaixonado pela lua!"

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Avatar e o Imperialismo em 3D.

Avatar, a moda da vez, é mais um blefe bem bolado da indústria cinematográfica norte-americana para continuar disseminando o velho discurso imperialista com seus heróis bonzinhos e mocinhos preocupados com as injustiças humanas, em grande parte praticadas por eles mesmos, os norte-americanos. Lá estão as recorrentes piadinhas sem graça que vemos nos enlatados, o general linha-dura sem um poro de sensibilidade, a pesquisadora (aliás, a especialista em aliens Sigourney Weaver) que quer apenas desenvolver suas coletas sem qualquer intenção usurpadora... E soldados generosos que diante das injustiças se rebelam etc. Clichês condenados a alguma “tela quente” da vida para somente alimentar a alienação de nossos jovens cujo senso crítico, infelizmente, é cada vez mais amortecido pelo paradoxo tecnológico. De que adianta ter um iphone com vários dispositivos e recursos para se usar apenas o Twitter? Tudo é casca... Como esse filme ‘pseudo-eco-tecnológico’. Afinal, o imperialismo nada mais é que uma visão em ‘multiperspectiva’ do mundo que se quer dominar, no caso, o planeta Pandora (ou a Amazônia, ou o Iraque, ou o Afeganistão etc). Tudo para o bem... E observar isso em um plano unidimensional é coisa para amadores, ora bolas! As guerras hoje são mesmo em 3D, como os próprios equipamentos e armas que o exército invasor usa para invadir Pandora e explorar um precioso minério. Em 3D tudo salta da tela!
Porém, o que mais desrespeita a inteligência e indigna o espectador é o discurso disfarçado de bonzinho tão explícito na política norte-americana. Jake Sully (Sam Worthington) é um ex-marine que terá a missão de se infiltrar na comunidade Na’Vi, habitantes de Pandora. Sua missão é mapear o terreno, desde os hábitos, costumes, cultura à geografia do lugar.
Tudo para que em breve se possa fazer um ataque indefensável. Como manda o figurino do herói, ele, na pele, ou mente, de um avatar, agora um guerreiro Na’Vi, se apaixona pela mocinha, ou melhor, pela princesa, filha do soberano e já prometida a outro. O quadro está formado e os conflitos resultantes disso são óbvios. Vários serão os desentendimentos até que o forasteiro/herói seja finalmente aceito pela comunidade. No interior dessa fórmula “sydfieldiana” (ou aristotélica, na verdade) não poderia faltar o item “traição”. Nosso herói revela a seus superiores o mapa e as fragilidades do povo Na’Vi. Sua amada, ao saber, revolta-se e o expulsa da comunidade. Peripécia esperada no esquema “amor impossível”. Óbvio que haverá uma reviravolta a seguir e nosso herói salvador da pátria (alheia) imporá sua condição de bom mocinho arrependido e disposto a lutar ao lado dos explorados. Esse enredo é velho... Só o 3D que é novidade nas salas... Mas não na história do cinema. Ah, e em breve, as novelas também serão em 3D. Enfim... Óbvio que o cinema só tem a ganhar com a alta tecnologia.
O revoltante mesmo é o fato de o mocinho ser o único a unir as forças da natureza contra os invasores. Avatar, na definição, é a encarnação de uma divindade sob a forma de homem ou animal. Ora, nosso herói não “reencarna” na forma de um Na’Vi? Portanto, nosso herói é uma espécie de divindade que reencarna em um ser inferior... É ele quem se conectará com as forças naturais e liderará a resistência. E conseqüentemente reconquistará a confiança de sua amada.
É muita pretensão que justamente o enviado dos invasores, agora travestido de avatar, seja a única figura com possibilidades de salvar os Na’Vi’s. Blefe, não? E tudo isso sob a máscara da tecnologia em 3D. Ofuscados pelos excelentes efeitos, deixamos de ver a mão que nos apunhala as costas! Ou não somos os próprios Na’Vi’s?
Avatar é daqueles filmes cuja embalagem é bem acabada, mas com um conteúdo tão destruidor quanto todo o arsenal atômico dos EUA, e para o qual não querem concorrentes (alguém aí no Irã, Coréia do Norte ou China me ouve?).
Ao olhar atento e crítico, porém, é possível perceber que Avatar expõe suas contradições narrativo-discursivas e revela os princípios político-ideológicos de sua produção.
Não passa de uma espécie de jogador que dá um xeque-mate em si mesmo!

Adeilton Lima

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Desejo

Meu verso na tua jugular... E a palavra desejo escorrendo pelo canto boca...

Adeilton Lima

OFicina de Teatro e Poesia

Correio Braziliense - 31/03/2010

O ator Adeilton Lima (foto) abre oficina voltada a iniciantes da poesia e do teatro. Ao final, com apresentação pública, será formada a Cia do Teatro Ético. “É bom para os iniciados refletirem com seriedade sobre um valor que nos é tão caro à política, ao teatro e ao dia a dia. Ética aliada à compreensão do sagrado no teatro”, defende o arte-educador. Em junho, ele voltará à cena com dois monólogos do seu repertório — A conferência e Diário de um louco. Até lá, apresenta-se, aos sábados, às 22h, no Senhoritas Café (408 norte), às 22h. A oficina começará no dia 12 de abril, com aulas às segundas e quartas, às 19h, na Cooperativa Brasiliense de Teatro (715 Norte, Bl. G, Lj. 49). Informações: 9239 9644 e 3037 9384. Valor: R$ 130.