domingo, 20 de dezembro de 2009

A Vida é Leve!

Os Melhores do Mundo e Udi Grudi

A Vida é Leve!

A última vez em que assisti a um espetáculo d’Os Melhores do Mundo, eles ainda se chamavam A Culpa é da Mãe. Fui ver Dingo Béus. Já sabemos o que aconteceu com essa turma, ganharam mesmo o mundo e hoje fazem a festa nos teatros por onde passam. Já fui crítico dessa forma de teatro, de achá-lo pouco compromissado com o trabalho de ator etc... Mas há teatros e teatros e essa moçada não tem que ficar dando muita trela pro meu Grotowski, não. A história deles é outra. E não vai aqui qualquer tipo de censura. Fazem um outro teatro, só isso, nem melhor nem pior que qualquer outra escola, mas o teatro deles, com alegria e qualidade.
A principal ferramenta que move e sustenta o trabalho dessa moçada é exatamente a competência e a inteligência na elaboração das cenas/charges e caricaturas que fazem da vida. Nada de pejorativo no que afirmo. O que funciona ali se chama conjunto. O que Os Melhores do Mundo fazem com maestria em cena são tirinhas de humor da melhor qualidade nas quais poderíamos encontrar diálogo nos trabalhos de Laerte, Angeli, Fernando Gonsales e tantos outros do mesmo universo. A ironia, a crueldade, a crítica corrosiva e o até o humor superficial, sim, e por que não? Tá tudo lá. Não perdem a oportunidade de atualizar seus quadros com acontecimentos recentes da vida política brasileira e local, material farto e diário. O público de imediato se identifica e, como se estivéssemos todos numa mesa de bar, contando e ouvindo piadas, ficamos logo à vontade, deixando o tempo passar com o riso de ponta a ponta.
Já o Udi Grudi, em seus 25 anos de história, faz magia com os espetáculos O Cano e Ovo, encantando crianças e adultos. Com eles, pegamos carona num trenzinho caipira cujo maquinista se chama Villa-Lobos. Como diz Manoel de Barros, tudo que for para o lixo, serve para a poesia. Pois esse grupo de palhaços está atento a essa percepção do mundo, lembrando-nos inclusive, que o mau-humor é o lixo da alma, e que o melhor mesmo é alimentar a criança que vive em cada um de nós, sorrindo, gargalhando, como pude perceber num atento espectador de cinco anos que estava ao meu lado. A mensagem de o Cano é ampla e recheada de poesia. Precisamos cuidar do meio ambiente, do corpo e da alma, vendo o mundo com mais leveza e respeitando a vida.
A visão lúdica do mundo e da vida que pulsa à nossa volta é o trilho comum na trajetória desses dois trabalhos tão diferentes. Cada um no seu caminho. Dois meninos traquinas pulando muros e subindo em árvores, e rindo de tudo. E dois grupos que representam duas vertentes do bom teatro produzido em Brasília.
Adeilton Lima

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