quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

As teclas do piano imaginário sob os dedos
A música nos vãos da alma
Asa aberta cheia de abismos
Um uivo ao longe rasgando uma garganta

A natureza esquiva de um réptil
Sob as folhas de uma tarde cinza
Um chocalho na percussão precisa do ataque
Pássaros fugidios espalhados pelo ar

E veio uma chuva
Torrente de veneno

A presa alva como um teclado
O alvo preso sem chances, sem saída
Na relva surda de um corpo

Adeilton Lima

Oxidante

Caninos amarelados
À espera do pigarro amante
Por entre os dedos
O odor vulgar do falo
Bolinando uma respiração repleta de varizes
Agora um trago, uma baforada
As horas infinitamente quentes
Rasgando o peito
Preparando a tosse
Como um vulcão em êxtase
Pronto a jorrar penitências
Desejos, taras, dependências
Diante de uma boca voraz
A consumir somente cinzas

Adeilton Lima