quarta-feira, 27 de agosto de 2008

A Boa!

A barata na boca da garrafa
A garganta da garrafa nas antenas da barata
Como os caninos de um vampiro
Prontos a sugar todo o líquido...
um túnel repleto de enguias e clarões ao fundo
fumegando sentinelas
O contorcer-se da existência num corpo febril
louco, desvairado
Gargalos, garras, gargalhadas
Uma pele de vidro sem reflexos
Quase aos cacos
Com cara ainda de noite
A barata lambe a presa
Como se fosse a própria cria
Tudo úmido
Ah, esse líquido amarelado!
Talvez mais gelado
Do que a gostosa... E estúpida cerveja...
Gargarejos e(s)coando...
Mas ali resta um balcão
E um deserto de mesas e cadeiras.
Ouve-se uma voz talvez num tom suave:
Garçom! Desce uma!

Adeilton Lima

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