quarta-feira, 27 de agosto de 2008

A Boa!

A barata na boca da garrafa
A garganta da garrafa nas antenas da barata
Como os caninos de um vampiro
Prontos a sugar todo o líquido...
um túnel repleto de enguias e clarões ao fundo
fumegando sentinelas
O contorcer-se da existência num corpo febril
louco, desvairado
Gargalos, garras, gargalhadas
Uma pele de vidro sem reflexos
Quase aos cacos
Com cara ainda de noite
A barata lambe a presa
Como se fosse a própria cria
Tudo úmido
Ah, esse líquido amarelado!
Talvez mais gelado
Do que a gostosa... E estúpida cerveja...
Gargarejos e(s)coando...
Mas ali resta um balcão
E um deserto de mesas e cadeiras.
Ouve-se uma voz talvez num tom suave:
Garçom! Desce uma!

Adeilton Lima

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Borboleta

Por entre os tecidos
De todas as cores
Arco-íris na tarde
Uma borboleta dança

Leveza de um sonho

De cabelos soltos
Cobrindo seu corpo
Pele clara e nua
Nas asas do sol

Suspensa no ar
Passeia com as nuvens
Que fazem desenhos

Corcéis alados
carretéis de cascatas
carrosséis da infância
Na sabedoria do tempo

Vai borboleta
É a luz do teu dia!

Canta, dança, faz amor com o vento
Visita os castelos
Fortalezas na praia
Em cada grão de areia

Vai borboleta
É a luz da tua vida!

Passeia pelo reino das cores
E desenha aquarelas
No mar dos teus olhos

Depois

Me traz de novo a aurora
Por apenas um segundo
Pra eu voltar a sonhar

Adeilton Lima