quinta-feira, 13 de março de 2008

Teatrinho Polishop

Senhoras e senhores!
Reconhecidamente, está criado em Brasília um novo estilo teatral. Se você está pensando no Teatrinho Polishop ( ou CTL+C), você acertou! Ligue 0800 e já poderá concorrer a alguns prêmios! É só ligar! Na cidade, esse tipo de “teatro” com embalagem, rótulo, data de validade e código de barras pode ser encontrado com facilidade em alguns espaços localizados ali na... (muito bem, você acertou novamente!). Para ficar bem claro, isso não tem nada a ver com o besteirol (até porque quem faz besteirol, no geral, não tem problema algum em se reconhecer como tal. Louvável. E há os que fazem besteirol com muita competência).
Bem, e o que caracteriza esse tipo de teatrinho polishop?
Em primeiro lugar, a ausência de atores, até porque seus fazedores visam explicitamente à televisão (“ah, que cara chato e preconceituoso”, me acusarão. Sim, claro, existe um ou outro ator na tv...). Calma, só estou querendo dizer que essa gente não estuda teatro e busca um caminho fácil para chegar às “malhações” da vida... Teatrinho trampolim... Por que não ir logo direto? Segundo, a abordagem superficial de temas supostamente sérios ou polêmicos. O lance é fazer sensacionalismo e vender uns bilhetinhos com um discurso pseudo libertex!. No mais, o ego desse povo é algo de ofuscar até mesmo o próprio sol (tadinho do sol). Tem gente até que acha que inventou o teatro... Na forma, esse “teatro” mama descaradamente (nada pessoal) noutros trabalhos. Bem, ao invés de procurar um divã, essa gente fica por aí exibindo seu ‘panqueique’ e seu ego carente de afagos – Freud palita os dentes, digo, explica! Se não sair correndo...
“Mas por que raios tu estás a falar sobre isso homem de Deus!”, me perguntaria “seu Manoel”, um senhorio imaginário tão interessante que já foi confundido com uma pessoa real pela burrice de alguns que praticam o teatrinho sobre o qual vos falo...
Bem, não é que o teatro do fulano seja melhor que o de cicrano. Há público para tudo e para todos. Mas me dou ao trabalho de fazer essa reflexão porque o discurso que vem de lá pra cá, ou seja, do povinho do teatrinho polishop em relação aos estudiosos e pesquisadores de teatro é que o que nós fazemos é ruim, não é para as grandes platéias etc. Como se fosse pecado um artista se propor a investigar o universo da linguagem com a qual trabalha, pensar o ser humano e sua complexidade existencial, pensar os mecanismos sociais e se apresentar para um público reduzido etc. Em suma, como se tudo isso se resumisse a uma questão de gosto e de mercado. Digo isso porque há aí um discurso de extremo preconceito contra o próprio teatro, uma arte que ao longo do tempo tem sido massacrada pelos esquemas mercadológicos e midiáticos. Ou seja, o Teatrinho Polishop se vende como teatro, se apropria de alguns elementos e códigos teatrais, mas com toda a sinceridade, definitivamente, teatro esse lixo não é. Chamem essa porcaria de qualquer outra coisa. (Sim, Polishop fica bem, mas pode ser também, teatrinho fashion... Dá no mesmo).
E qual o paralelo desse teatrinho com a televisão? Refiro-me obviamente ao formato de televisão que está aí. Ora, não vivemos no mundo das celebridades? Do sucesso efêmero, do exibicionismo e dos paparazzi? De “trabalhos” em embalagens de isopor que se fragmentam ao primeiro assopro de um intervalo comercial? É isso... O irritante é chamarem isso de teatro. E não é difícil identificar o esquema de produção por trás desse tipo de “teatro”.
Ele é feito em série, na mesma proporção em que se volatiliza como os flatos produzidos por um espectador desesperado com problemas de digestão sentado na primeira fila. Tudo o que esse teatrinho consegue é se identificar com os gases da platéia.

Adeilton Lima

Nenhum comentário: