terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Metrópole

Uma lua sorri para a calçada crua
Descalça e sem agasalho, no frio.
Com o dedo na boca
Da madrugada que se estende
Pelo quarteirão
Clichês e michês nas esquinas
De luzes ao meio, sonolentas.
Mal paridas
Na vigília sem destino
Das sirenes surdas

Um cobertor puído
Penetra um vento ainda tímido
Anunciando a garoa
Que já freqüentou tantos sambas

A rua bamba
Na caixa de fósforos úmida
O Calor que partiu na calada das horas
Com a desculpa de logo voltar
Talvez trazendo leite na caneca da tarde

A lua já bêbada
Sorrindo um brilho disfarçado
Na ponta da aurora assim meio borrada

O frio queimando o cimento

Enquanto logo ali tão perto
Uma barata tonta dá as caras a caminho da padaria

Eis o dia!

Adeilton Lima

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