domingo, 16 de julho de 2017

Eu sei da noite despida
no horizonte dos teus segredos
eu sei dos uivos dos lobos
nas crateras da lua
quando das primeiras viagens de ácido
sei também da tensão dos teus dedos
no salão das orgias
quando escolhias tua fantasia mais cruel
para o baile vermelho da aurora
sei das cavalgadas insanas
dos tubarões quando as barbatanas
tocavam tua pele em fogo
sei das tempestades no oceano
de tua vulva, dos barcos naufragados e
dos navegantes que ser perderam
em redemoinhos de gozo
e que lá permanecem encantados
pelo teu doce, salgado e amargo
canto de sereia.


Adeilton Lima

quinta-feira, 22 de junho de 2017


No fundo
do meu silêncio
no útero
dos sentimentos
flui o magma
perene
que alimenta
o vulcão.


Adeilton Lima

sexta-feira, 9 de junho de 2017


Eu sou
um homem
bomba
carrego no peito
explosivos
de poesia
haja versos
para tanta afasia
haja amor
contra tanta hipocrisia!


Adeilton Lima

sábado, 22 de abril de 2017



Casulo

O coração
É o casulo
Da alma
Útero dos mistérios
Onde o Ser
Descobre
Os sentidos
Desejos
E necessidade
De voar.

Adeilton Lima
A saudade
é o paradoxo
da ausência...

Adeilton Lima

quarta-feira, 8 de março de 2017

Eis que a criança disse: "Olha a lua!"
E a lua se fez!
No entanto, o céu estava escuro,
naquela noite não havia lua nem estrelas...
Mas o que é o céu diante da imaginação de Deus?


Adeilton Lima

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Toda uma vida sem trocarem um único olhar... E de repente ele estava ali estático ao lado de seu corpo olhando fixamente para aquele rosto inerte e pálido, para aqueles olhos preenchidos absurda e paradoxalmente pela luz da morte.

Adeilton Lima

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

A saliva que fulmina
palavras atávicas
enquanto o veneno
desce pelo canto da boca...
Há murmúrios
e resta apenas (no aqui e no agora)
os esqueletos petrificados
no barco ruminante
das madrugadas...
a cegueira insone dos vaga-lumes
rodopiando fios de lembranças
nas constelações do corpo...
Vampiros enlouquecidos
a suplicar a luz!


quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

A loucura
esse meteoro diário
a zunir na tua cabeça
como gargalhadas dos zumbis que te cercam
repletos de cordas e crucifixos
no pescoço...
A loucura
esse galo cantando
nas manhãs indesejáveis
de consciências tardias
à beira do sepulcro..
A loucura
esse oceano abissal
que salta dos teus olhos
causando calafrios nos poros
da pele que ainda resta sobre os teus ossos...
A loucura
esse feto que te acena
desesperadamente
no avesso dos nascimentos
ainda visível sob o portal tão longe e tão perto
de um arco-íris!


Adeilton Lima